Castração animal é coisa séria. Quem tem pet em casa ou está pensando em adotar precisa se informar sobre o assunto.

O procedimento, indicado para cães e gatos, é altamente recomendado por inúmeras razões.

A principal é prevenir o surgimento de câncer e outras doenças, o que ajuda a aumentar a longevidade do pet.

Em alguns casos, a castração é capaz de reduzir as chances de tumores malignos em até 99%.

Idade certa

“A indicação é fazer a castração de cães e gatos antes ou logo após a puberdade, por volta dos seis a oito meses”, explica Bernardo Dagostim, médico veterinário da Petland Batel. Porém, a literatura não tem consenso sobre o período exato, segundo o especialista.

Estudos mais recentes recomendam o procedimento entre o primeiro e o segundo cio de cadelas. “Nesta fase, o fato de terem passado pelo primeiro cio já faz com que o trato urinário e reprodutor estejam bem desenvolvidos”.

No caso de cães de grande porte, cuja fase de crescimento pode se estender até por volta de dois anos de idade em algumas raças, é indicado esperar. “A estimulação hormonal que acontece na puberdade é importante em alterações morfológicas normais do crescimento”, diz o veterinário.

A castração previne o câncer e outras doenças

Verdade. A principal vantagem de fazer a castração de fêmeas, segundo Dagostim, é a alta redução de incidência de câncer de mama. “Nas gatas, o procedimento feito antes dos seis meses reduz a chance de câncer em 91%. Se for feito depois de um ano, o número cai para 11%”, informa.

Os dados relacionados às cadelas também impressionam. Quando castradas antes do primeiro cio, têm apenas 0,5% de chance de desenvolverem câncer de mama. “Depois do segundo cio, o risco é de 8%; após o terceiro, sobe para 26%”, diz o veterinário. Nos machos, a castração previne o câncer de próstata.

O procedimento também é indicado para evitar outras doenças graves e comuns, como a piometra (uma infecção bacteriana no útero). Por conta disso, a castração é capaz de aumentar a longevidade do animal.

Ao castrar um animal, ele fica mais calmo.

Depende. “Muitas pessoas têm queixas de problemas comportamentais e acreditam que a castração vai resolver, mas não é bem assim”, explica o veterinário.

O que melhora, de fato, são atitudes relacionadas à atividade hormonal: marcação de território através da urina (cães), o hábito de “montar” em pessoas e objetos (cães), passeios noturnos e miados referentes à atividade sexual (gatos).

Por outro lado, comportamentos como agressividade e ansiedade talvez continuem ocorrendo. “É uma questão comportamental, não hormonal. Varia muito de animal para animal, mas a castração não tem este fim”, afirma explica Vivien Morikawa, chefe da Rede de Proteção Animal da Prefeitura de Curitiba e professora do curso de medicina veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

As fêmeas precisam ter pelo menos uma ninhada antes de serem castradas

Mito. “Muita gente imagina que ter cria ajuda a minimizar as chances de ter câncer, mas isso não é verdade”, categoriza Dagostim.

Só o fato de esperar uma fêmea ficar prenha já pode prejudicar nessa questão, pois é preciso aguardar o segundo e o terceiro cio para o cruzamento. Antes disso, o risco de complicações da gestação animal é grande.

Cães castrados perdem a masculinidade

O mito, que faz com que muitos tutores deixem de castrar seus pets, é perpetuado principalmente por parte de homens, segundo os especialistas.

Eles relacionam a castração animal à virilidade masculina. A gente explica que isso não acontece dessa forma”, explica Morikawa.

Os conceitos de “prazer sexual” e “masculinidade” são relacionados aos seres humanos. “Os animais cruzam por instinto. Assim que os hormônios sexuais param de ser produzidos, automaticamente cessa a necessidade. Não é algo que eles vão buscar por prazer”, explica Bernardo Dagostim.

Animais castrados engordam

Verdade. Após o procedimento, a tendência é que eles ganhem peso mais facilmente. Porém, com alimentação equilibrada e atividades físicas regulares é possível controlar a situação. “Hoje, há inúmeras opções no mercado de rações com teor calórico menor”, lembra o veterinário.

Avalie essa notícia:

RuimRegularBomÓtimoExcelente
Loading...