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Nas duas últimas semanas, conversei com vocês a respeito de obesidade: os problemas que pode causar, e como combatê-la. Se você perdeu, clique aqui para o primeiro post, e aqui para a continuação.


Um dos principais problemas de quem vai se aventurar na difícil luta contra os quilinhos a mais do seu gato, é lidar com a miação excessiva. Gatos em dieta de redução podem ser um tanto quanto chatos. Muitos aprenderam a pedir comida através da vocalização (miados), e passarão a fazê-lo com uma frequência bem maior durante o período de adaptação.

Além disso, muitos e muitos donos se queixam desse problema no consultório: o gato não para de miar. Os donos são acordados com miados, vão dormir seguidos de miados, e passam o dia ouvindo miados. E muitas vezes não tem nada a ver com dieta. Então, o que fazer?

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via Pics to Pin

A primeira coisa, como sempre, é se certificar de que não haja nenhum problema de saúde causando essa vocalização excessiva: dor; alteração neurológica; idade (animais mais velhos podem ter o que chamamos de Alzheimer felino/canino – conversaremos a respeito em outra ocasião). E para ter certeza, só com seu veterinário de confiança, sempre!

De modo geral, o grande culpado pela vocalização excessiva do gato é, infelizmente, o dono. Mas não se desespere. Saiba que o problema pode, sim, ser resolvido, e por você mesmo! Dentre as causas mais frequentes desse problema tão comum, podemos citar: ansiedade; busca por atenção; comportamento aprendido; e mudança de rotina. E como saber em qual desses o seu gato se encaixa?

ANSIEDADE
Um gato ansioso é um gato que tem muita energia acumulada durante o dia. Geralmente são animais que passam o dia todo sem fazer nada: só dormem e comem. Talvez por ficarem sozinhos a maior parte do dia, ou por serem preguiçosos (ou gordinhos!), ou por não terem o estímulo adequado para “extravasar”. Digamos que são gatos que não podem se comportar como gatos. Ou seja: não correm, não perseguem “presas”, não pulam, não caçam. Assim, toda a energia deles é redirecionada inadequadamente, de modo que podem passar a destruir a casa, vocalizar excessivamente, brigar com outros animais da casa, atacar o próprio dono, e por aí vai. Basicamente, ansiedade é uma das causas mais comuns de comportamentos inadequados, tanto em cães como em gatos.

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via Google

BUSCA POR ATENÇÃO
Gatos que se sentem muito sozinhos podem, sim, vocalizar para atrair a atenção do dono. Geralmente são gatos ansiosos, que, como dito acima, não tiveram estímulos adequados para extravasar durante o dia; e que o momento mais agradável e divertido que conhecem é quando ganham carinho/comida do dono (que, muitas vezes, só chega em casa no fim do dia).

COMPORTAMENTO APRENDIDO
Toda vez que o seu gato mia, e você logo lhe dá um petisco, oferece ração, dá um carinho, ou simplesmente olha pra ele ou responde verbalmente, aquele comportamento é reforçado. A partir daí, ele entende que toda vez que miar, ganha alguma coisa. Recompensa é a base para qualquer adestramento, e se usada da maneira errada, pode ensinar comportamentos inadequados.

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via Cat Clinic of Cobb

MUDANÇA DE ROTINA
Se antes você morava em casa, e agora se mudou com seu gato para um apartamento, por exemplo, essa pode ser a causa para a vocalização excessiva dele. Mas atenção: apenas se o comportamento começou após a mudança. Se antes disso ele já apresentava esse comportamento, essa não é a causa de base. Qualquer alteração brusca na rotina de um gato (um morador da casa foi embora, ou alguém novo foi morar com vocês, ou a introdução de um novo animal, ou o falecimento de um ente/animal próximo, etc) pode ser responsável pela vocalização excessiva. Esses animais, de modo geral, tornam-se ansiosos.

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via All Pet News

Um gato com problema de vocalização excessiva não necessariamente se encaixa em apenas um desses motivos. Muitas vezes é uma mistura de causas, reforçadas, ou não, pelo dono. Acredito que podemos resumir em apenas dois motivos principais: reforço inadequado e ansiedade. Ou seja: um gato com energia acumulada, sem a possibilidade de extravasar adequadamente, e/ou que aprendeu, ensinado pelo dono, que miar significa ganhar algo bom.

Sabendo disso, vamos ver o que pode ser feito para resolver essas questões:

REFORÇO INADEQUADO
A primeira, e talvez mais difícil, coisa a se fazer com um gato que apresenta vocalização excessiva, é aprender a ignorá-lo. Quando seu gato começar a miar, não olhe-o nos olhos, não fale com ele, não vire-se em sua direção, não abra a porta, não levante-se da cama, etc. E principalmente: não o recompense com petiscos, cafunés ou ração. Em hipótese alguma. Cada vez que você fizer exatamente aquilo que ele quer, você só reforça esse comportamento.

Eu juro que sei o quão difícil isso é. Aquele peludinho de olhinhos redondos e brilhantes, tão pequeno e dependente, te chamando com desespero. A sensação é de que ele vai morrer se não ganhar o que quiser, não é? Mas acreditem. Por mais difícil que seja, tenham coragem, garra, e saibam que é pelo bem deles. Sempre.

E não, vocês não vão ignorá-los pelo resto da vida e a qualquer momento. Façam carinho, sim, deem petiscos, sim! A questão aqui é ensinar você, dono, que qualquer ação deve partir de você. Não o espere miar para lhe oferecer um petisco ou cafuné. Sabendo que cada uma dessas coisas reforça um comportamento, faça quando ele estiver calmo, relaxado e quieto! Sempre e apenas nessas circunstâncias. Não se esqueçam: a iniciativa do carinho/atenção sempre deve partir de você, e não dele!

E mais importante: nunca usem nenhum tipo de punição com gatos. Nunca gritem, nunca utilizem agressão física, nunca deem broncas. Nem mesmo um “shhhh, fica quieto!”. Isso funciona com cães. Punições só tornam o gato ainda mais ansioso, e pioram o comportamento inadequado. Com relação a isso, os únicos tipos de punição que são permitidos, são os despersonalizados. Ou seja, aqueles em que o gato não sabe que partiu do dono. Aqui incluem-se: pistolas de água; borrifadores de água; emissores de barulho ultrassônico; e objetos que fazem barulhos de modo geral (uma latinha com moedas dentro, por exemplo). A ideia é dar um “susto” no seu gatinho, sem que ele perceba que veio de você.

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via Brinn & Ray

ANSIEDADE – ENERGIA ACUMULADA
Como já dito anteriormente, gatos que não podem se comportar como gatos, tornam-se ansiosos. Para serem mentalmente saudáveis, eles devem poder expressar o seu comportamento natural. Gatos precisam correr, pular, caçar e arranhar. É da natureza deles, e privá-los dessas atividades os deixam estressados e passíveis de desenvolver comportamentos inadequados.

Em primeiro lugar, devemos sempre nos lembrar disso: gatos não são pequenas pessoinhas. Lembram-se do que eu disse no post anterior, sobre obesidade? Também vale aqui. Ter e amar um gato significa aceitá-los como são: gatos.

Para fazer com que o seu gato se comporte como um gato, temos uma ferramenta simples, chamada de “enriquecimento ambiental”. Isso significa transformar o ambiente em que eles vivem, em um lugar que possibilite a eles agirem da maneira mais fiel ao natural possível. Principalmente quando você não estiver em casa, para que ele possa extravasar sozinho. E como enriquecer o ambiente do seu gato?

É mais simples do que se parece: oferecer lugares para eles subirem – desde simples caixas de papelão a casas e estantes próprias para gatos. Não precisa ser nada muito elaborado ou caro. Basta permitir que o seu gato tenha acesso a lugares mais altos: limpe uma estante, coloque uma caixa vazia na janela, coloque telas em janelas e sacadas e permita que eles tenham acesso a esses lugares, e por aí vai. Criatividade é a palavra de ordem.

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via Haus Panther

Além disso, ofereça muitos brinquedos para que ele se divirta enquanto está só. Mas não adianta comprar aquele monte de ratinhos e largá-los espalhados pela casa para sempre. Para os gatos, brinquedos perdem a graça depois de um tempo. Compre vários, diferentes, e guarde-os em uma caixa, longe dele. Faça rodízio semanal de brinquedos, para mantê-lo sempre interessado. Aqui na loja da Cat Club há inúmeras opções de brinquedos para seu gato, escolha quantos quiser!

Outra coisa interessante, principalmente para aqueles mais comilões, são os brinquedos que você pode encher com comida. Tipo o Kong, que você pode encher com sachê, congelar, e oferecer quando sair de casa. Ou a Pet Ball, em que você coloca ração e oferece, também, quando ele ficar sozinho (não se esqueça que essa ração conta como refeição!). Além desses, há diversos outros brinquedos em que você pode colocar comida, é só procurar em qualquer loja de artigos para pets.

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via Google

E quando você estiver com o seu gato, brinque muito com ele! Principalmente logo antes de você ir dormir. Deixe-o exausto! Reserve os brinquedos que ele mais gosta (varinhas, canetas-laser, etc) para brincar exclusivamente com você, para tornar esse momento dono-gato ainda mais gostoso para ele. Lembre-se, apenas, de sempre fazer qualquer tipo de interação quando ele estiver relaxado e quieto, para incentivar ainda mais esse comportamento.

Em alguns casos, se você tem apenas um gato, vale considerar a hipótese de adotar um companheiro para ele. Mas pense muito bem antes de optar por essa alternativa. Só o faça nessas condições:
1) Seu gato é extremamente agitado e inquieto, quer brincar o tempo todo;
2) Ele não é idoso (não há necessidade de estressar um senhor de idade, principalmente se você quiser introduzir um filhote na casa);
3) Tenha certeza de que seu gato não é agressivo com ninguém;
4) Ele é curioso e não é nada medroso;
E não se esqueça de fazer a introdução do novo gatinho da maneira correta. Um novo animal na casa pode (e vai) estressar, e muito, seu gato, então saiba como fazê-lo!

É muito importante vocês terem em mente que, muitas vezes, resolver o problema significa apenas reduzi-lo. Quanto mais antigo for o comportamento aprendido, mais “mania” ele já virou, e mais difícil fica conseguir revertê-lo.

Na próxima semana, aproveitando a nossa conversa de hoje, vou conversar com vocês a respeito de como introduzir um novo animal na casa. Fiquem de olho! Acompanhem a página no Facebook para não perder nenhuma dica.

M.V. Luísa Navarro
Dúvidas ou sugestões? Deixe um comentário ou escreva para [email protected]

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