Para Sergio Pitamitz, ver um felino negro foi uma baita sorte. Ao liderar uma expedição fotográfica no Lualenyi Camp, reserva de caça privada perto do Parque Nacional Tsavo West, no Quênia, no ano passado, Pitamitz percebeu uma figura escura se movendo por entre a relva. Seu veículo parou e ele ficou esperando.

Em alguns minutos, um serval negro, felino selvagem de pelagem similar à da chita, aproximou-se do grupo e logo desapareceu novamente no mato. “Quando você fotografa animais selvagens, está sempre à procura de algo raro e estranho”, diz Pitamitz. “Isso foi absolutamente incrível.”

O animal é melanístico, ou seja, seus genes carregam uma mutação que cria mais pigmento escuro do que pigmento claro, de acordo com Eduardo Eizirik, biólogo e especialista em melanismo felino da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Embora o melanismo seja bastante comum entre os gatos selvagens (são relatados em 13 das 38 espécies conhecidas), o traço parece ser relativamente raro em servais. Há poucos registros de servais negros na literatura científica do Quênia e da Tanzânia, diz Eizirik. Além disso, “há registros inequívocos recentes” de servais negros na Etiópia, no Gabão e na República Centro-Africana, segundo Luke Hunter, presidente do Panthera.

 Serval mais comumente encontrado na natureza

Cor escura

O mais famoso felino melanístico é a pantera negra, termo que engloba leopardos de pelo escuro na Ásia e na África e jaguares na América do Sul. Eizirik e colegas descobriram oito mutações distintas que levam ao melanismo em felinos, e todas parecem ter evoluído de forma independente. (O puma, ou leão da montanha, não possui o gene que causa o melanismo.)

Mas por que o melanismo evoluiu em felinos é uma questão mais complicada.

É possível que uma pelagem preta ofereça camuflagem a alguns felinos enquanto caçam, especialmente em habitats pouco iluminados. Por exemplo, as panteras negras são abundantes nas densas florestas tropicais da Malásia peninsular, mas não nos desertos da Ásia Central.

Em climas ensolarados, a evolução pode ter escolhido a opção contra o melanismo, já que uma pelagem preta poderia superaquecer o animal, diz Eizirik.

Embora não exista uma razão óbvia para o serval queniano desenvolver o melanismo, Eizirik suspeita que o felino recém-visto está muito bem, se mantendo quieto de dia e caçando à noite.

“Coruja felina”

Conhecido como as “corujas” da família dos felinos, os servais são caçadores noturnos que usam seus enormes ouvidos para pegar roedores passando pela grama alta, diz Jim Sanderson, especialista em pequenos felinos e gerente de programas da Global Wildlife Conservation, sediada no Texas.

Servais “podem pular muito alto, e com suas longas pernas dianteiras e garras afiadas seguram roedores antes que eles possam reagir”, diz Sanderson em um e-mail.

Difundida por toda a África Subsaariana, a espécie não está ameaçada, mas seus hábitos noturnos raramente são vistos em um safári.

É por isso que Pitamitz se considera duplamente sortudo: “Você pode imaginar como é difícil ver um serval” durante uma turnê de fotos, diz ele. “Um serval negro é quase impossível.”

 

Fonte: National Geographic

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