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Olá fãs do Cat Club, aqui é a Alexandra (Não me conhece? Veja aqui) e hoje venho falar com vocês sobre um assunto muito importante: Animais, especialmente gatinhos, especiais!
Eu sou apaixonada por gatos especiais, que também são conhecidos como encalhadinhos.
Os velhos, pretos, escaminhas, sem orelha, sem olho, sem perna e por ai vai. Pra mim, são gatos normais como qualquer outro, mas infelizmente para uma grande parte das pessoas, gatos assim não são “gatos de verdade”. E eles ficam por meses e muitas vezes até anos em um abrigo aguardando por uma adoção, que talvez nunca chegue a acontecer.

Nesse último domingo, eu até me emocionei quando minha filha, Samantha, disse:
“Ai Jhonny, você é tão bonzinho. Mesmo não tendo um olho eu gosto tanto de você!”. Foi difícil segurar a emoção ouvindo isso!

Bom, mas eu não tenho tanta experiência assim com adoções especias de fato, apenas o Jhonny, que se vira muito bem sem um olho, me fazendo até esquecer que falta um. Por isso, chamei a tia Rita, que conheci lá no blog do Borginho para contar um pouco como é conviver com animais especiais.

Alexandra: Quantos gatos/cachorros você tem? E quais deles são adoções especiais?
Rita: Tenho no momento 6 gatinhos e 1 cachorrinha e todos foram adoções especiais. Os gatinhos são:
filhos

Ozzy,
meu branquinho que você já conhece pois foi o mestre sala da Gatidade. O encontrei no site do Adote um Gatinho, na procura justamente de um gatinho especial, e me apaixonei pelo olhar de anjo dele, e tinha nome de anjo: Gabriel, o gatinho de 3 patas. Sabe-se que ele não nasceu assim, foi uma amputação traumática, ou atropelamento, não se sabe, mas é um gatinho muito assustado com pessoas mas é um doce com quem conhece!

Moxa, meu outro branquinho, foi outro gatinho que encontrei no site do Adote um Gatinho, na procura também de um outro gatinho especial. Ele foi resgatado adulto numa aldeia indígena em SP, pesando 500 gramas, com problemas respiratórios e câncer nas duas orelhas que tiveram que ser totalmente amputadas. É um fofo e muito apegado a mim. Adora dar beijinhos no rosto!

Boo, é uma pretinha que foi abandonada no muro da minha casa cheias de cacos de vidro ,bem filhotinha. Considero uma adoção especial porque você sabe o preconceito que existe com gatos pretos, né? Sabe-se lá o que poderia acontecer com ela abandonada nas ruas!

Léo, meu malelo, foi espancado por moleques monstruosos que giravam e batiam a cabeça dele no chão. Foi salvo pela funcionária da minha veterinária que o levou pra clínica onde foi tratado e ofereceram pra mim, adotei na hora! Ele foi resgatado com a cabeça toda torta e ficou com sequelas neurológicas, o equilíbrio é um pouco alterado, tem dificuldades para comer e se limpar porque a língua dele enrolou e não consegue sair da boca. O miado dele em função disso também é diferente e anda e corre todo esquisitinho, tadinho, um fofo! Parece sempre um filhote!

Hatmin, minha escaminha, foi uma adoção especial porque a adotei idosa, esta com quase 19 anos e com insuficiência renal. Tem displasia de quadril e artrose e degenerações em quase toda coluna. Vivia numa chácara de um senhor que vendeu e não podia cuidar mais dela. Tinha pouco contato com humanos então é bem assustadinha mas é uma lutadora.

Capuccino, é o meu amarelão, adotei junto com a Hatmin, viviam juntos nessa chácara, adotei também idoso, teve hepatite e emagreceu bastante, já está recuperando tudo! É um gato extremamente carente, pede carinho para todos que chegam em casa, justamente por ter tido pouco contato com humanos ele é desesperado por carinho, ao contrario da Hatmin.

Nina, é a única cachorrinha, apesar de eu ser gateira, não pude deixar de adotar a Nina, por ser uma adoção mais que especial. Ela foi abandonada grávida pelo dono, super machucada, metade do corpo em carne viva, a veterinária tinha até suspeitado de terem jogado água quente nela. Chamaram a zoonose que avaliando ela resolveram sacrificá-la. Ela conseguiu escapar, mas os filhotinhos foram levados. Ficaram de vir busca-lá depois, nesse meio tempo a peguei e passou por um longo tratamento doloroso e sofrido. Hoje está até precisando fazer regime de tão fofa que está!

Alexandra: Como começou esse amor por animais especiais?
Rita: Como deu pra perceber, sou gateira de coração, e sempre fui louca por gatos, apesar de amar todos os bichinhos. Um dia fui visitar a ONG Adote um Gatinho e vi a quantidade de gatinhos encalhados, que não são adotados ou por terem uma deficiência física, ou serem doentes, ou idosos, ou os pretinhos, escaminhas, etc…
Daí, meu amor por gatos virou um amor por gatos “estrupiadinhos” como costumo chamar carinhosamente.

Alexandra: A sua casa tem algum tipo de adaptação?
Rita: Sim, minha casa tem os muros, os portões e janelas teladas pra evitar fugas, aliás, essa é uma exigência do Adote um Gatinho pra quem queira adotar, além de todos serem castrados.

Alexandra: Quais os cuidados específicos com os bichanos? Necessitam de um cuidado maior?
Rita: Sim, precisam de muitos cuidados, ainda mais os meus que são especiais.
Todos eles comem uma ração especial premium para gatos castrados da Golden, eles precisam tomar muita água pra prevenir problemas renais, então espalho potes e filtros de água pela casa e troco constantemente. Nos finais de semana eles ganham “comidinha especial”, que são os sachês, que eles amam de paixão, e é bacana porque tem pedacinhos de carne com caldinho, que os hidrata também. Coloco varias caixas de areia para o xixi e cocô, que limpo 2 a 3 vezes ao dia.
Cuidados especiais: a Hatmin que tem insuficiência renal e artroses precisa de muitos cuidados, dou soro subcutâneo 2 vezes por semana para o rim não parar, tive que aprender a aplicar pra não estressá-la em levar ao veterinário 2 vezes por semana, deixo uma caixinha de areia no quarto onde ela dorme pra facilitar a locomoção dela, já que as outras caixas ficam na área de serviço. Ela precisa de exames constantes pra ver como esta o rim e toma injeções pra melhorar o quadro de artroses dela, que eu mesma aplico pra evitar crises de dor já que não pode tomar corticoides.
O Léo, que ficou com sequelas de espancamento e também precisa de cuidados especiais, como a língua dele não sai da boca ele precisa escavar a ração usando a boca, então o pratinho dele tem que ser mais fundo pra ele poder pegar a ração, o mesmo com a água. Sem língua não consegue se limpar, então precisa de banhos e escovações mais freqüentes que os outros. O mais interessante do Léo é que a Nina, a cachorrinha o adotou como filho, então quando ele faz xixi e cocô a Nina limpa ele com a língua dela, limpa as orelhas, os olhinhos e até coça ele com os dentes! Ela sabe até onde ele gosta de ser coçado! E dormem juntos todas as noites!
O Ozzy também precisa de cuidados especiais, na ausência da patinha dianteira , um lado do rosto ele não consegue limpar, então ou eu limpo ou a Boo e o Moxa limpam pra ele. Fofos!
Ele apesar da ausência da pata usa a caixa , corre e pula normalmente. Infelizmente esse ano apareceu um tumor na patinha traseira do mesmo lado que ele não tem a dianteira. E com característica maligna. O tratamento mais seguro seria a amputação , mas consultamos 2 oncologistas e cirurgiões que concordaram em não amputar porque restringiria o Ozzy a cama. Não poderia mais andar e não teria mais qualidade de vida nenhuma! A quimio não faz efeito nesse tipo de tumor, ele foi retirado. Então ele inspira cuidados, fico sempre fuçando ele pra ver se o tumor aparece de novo, e assim vamos levando. Não suportaria ver o Ozzy só deitado! 🙁 Acho que foi o melhor pra ele.
Outro cuidado é que o Ozzy e o Moxa são todos branquinhos e como adoram tomar sol, precisam de protetor solar pra prevenir o câncer de pele, nas orelhas e no nariz, no caso do Moxa.
A Boo também precisa de cuidados por ser pretinha, mesmo sendo telada a casa, toda sexta feira 13, por causa dela todos não aparecem nem nas janelas e não saem nem para o quintal, ficam confinados, tem muita gente ignorante ainda e usam gatos pretos pra rituais satânicos.

Alexandra: Você, ou os gatos, já sofreram algum tipo de preconceito devido eles serem especiais? Se sim, como você lidou com isso?
Rita: Preconceito existe sim, só pelo fato de serem muitos gatos. Quanto a Nina, a cachorrinha, ela não sofre não, porque as pessoas são mais receptivas aos cachorros.
Mas quando falo da quantidade de gatos que eu tenho e quando digo que dormem comigo, algumas pessoas ficam com nojo.
Percebo pelos olhares das pessoas quando vêem o Ozzy sem a patinha, um certo mal estar.
Sem contar as inúmeras pessoas que ainda me perguntam como eu aguento ter gatos já que são tão traiçoeiros.
Algumas vão em casa e reclamam que ficam pêlos nas roupas, ou que ficam com alergia.
Aliás, todos me acham meio louca por ter tantos bichinhos especiais.
Fico triste com tanto preconceito com os gatinhos, porque os considero como filhos e ninguém gosta que falem mal de seus filhos, mas não brigo, não discuto, procuro orientar, esclarecer, desfazer essa imagem acerca do gato e assim já consegui mudar muita gente, o meu ex-marido, meu namorado atual, por exemplo, o que me permitiu ter tantos agora! Mas antes nenhum dos dois eram chegados a gatos, só cachorros.

Manu: Gostaria de saber o que vocês, que convivem com esses animais, aprenderam nesse convívio.
Rita: Eu aprendi TUDO com essa minha tropa especial.
Não sabia que eu poderia ser tão forte assim! A Nina, por exemplo, nos primeiros 15 dias, eu tinha que dar banhos diários com permanganato em água morna com algodão em cada ferida dela, e ela chorava baixinho, mas ficava quietinha, sabia que era para o bem dela, e foram nesses dias que nosso vinculo foi se fortalecendo.
Nunca pensei que teria coragem de enfiar uma agulha de soro 2 vezes por semana numa gatinha idosinha…
Conseguir conviver com a expectativa do câncer do Ozzy voltar ou não…
Muita gente não aguenta isso, e diz que por isso nunca mais tiveram bichos depois que perderam…e não se conformam de eu adotar bichinhos assim.
Tenho síndrome do pânico e estou numa fase aguda, e a maioria tem coragem de me dizer que é pelo trabalho de cuidar dos meus filhos. Mas é o contrário, em muitas das minhas crises, só consegui sair de casa pra trabalhar porque eles percebem, deitam em cima de mim e me acalmam, como se absorvessem tudo de ruim que estou sentindo…isso é gratidão…é a forma que eles tem pra demonstrar o quanto são gratos. Quando chego em casa, exausta, tarde, todos estão me esperando na porta, me dando carinho, beijinhos, minha noite se transforma, relaxo e sinto a gratidão deles todos os dias. Sentimento que falta muito nos humanos e que eles tem de sobra.
E hoje te digo de coração, que eu é que sou grata a eles, são eles que cuidam de mim, me fazem enfrentar o pânico me dando o amor mais puro e sincero do mundo, e me trazem paz.

Alexandra: Aprendi muita coisa, mas, principalmente, que a aparência não te define. Que o amor e a gratidão desses ‘estrupiados‘ por nós é muito grande e que eles realmente nos vêem como alguém especial também, que decidiu amá-los, mesmo sabendo que falta uma parte do corpo, ou que seu tempo de vida não é grande, ou mesmo com sua cor, comum, ou ligada a superstições tolas. Um amor desse realmente é VERDADEIRO!
*
Bom pessoal eu espero que tenham gostado! Um gatinho especial é capaz de nos ensinar muitas coisas e ele tem o mesmo amor que qualquer outro, talvez até mais.
Pense, nisso…Ponha um estrupiado em sua vida! 🙂

ale

 

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