Roberto de Lucena defende criadouros comerciais enquanto estimativas apontam que há mais de 30 milhões de animais domésticos vivendo nas ruas

Enquanto no Brasil estimativas apontam que há mais de 30 milhões de animais domésticos vivendo nas ruas, o deputado federal Roberto de Lucena (Podemos-SP) enviou ontem (12) ao Poder Executivo uma indicação em que manifesta interesse em fortalecer o comércio de animais domésticos – incluindo cães, gatos e aves.

Segundo Lucena, a criação desses animais no Brasil remonta aos tempos da colonização. Ele diz que “como resultado positivo da atividade está a perpetuação de linhagens e espécies através de acasalamento planejado, visando a qualidade de vida e a longevidade dos animais.”

O deputado defende que é preciso reconhecer o compromisso com a saúde e o bem estar dos animais por parte dos criadores e selecionadores, mas o faz baseando-se apenas na sua própria opinião como presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Criadores de Animais de Estimação.

Por outro lado, uma rápida pesquisa no Google ou nas mídias sociais aponta quase que diariamente denúncias de maus-tratos envolvendo criadouros de animais. Só a Polícia Ambiental de São Paulo recebeu em um ano 4670 denúncias de maus-tratos em canis com finalidade comercial – o que dá uma média de 12,7 denúncias por dia.

E mesmo que a qualidade de vida e longevidade fossem garantidas nos criadouros, isso não muda o fato de que a comercialização de animais desestimula a adoção de animais abandonados. Afinal, incitam em pessoas de todas as classes sociais uma predileção estética e racial.

Há que se considerar também que um animal é objetificado a partir do momento que sua existência é vinculada à geração de lucro – que é o propósito dos canis comerciais. Afinal, como pode ser normal uma mãe procriar e, alheia à sua vontade, ser separada de seu filho no limiar da vida para que ele seja vendido?

Na indicação 40/2020, Lucena sugere em explícita conveniência a criação de uma Secretaria Nacional do Bem-Estar Animal que conte com a participação da Frente em Defesa dos Criadores de Animais de Estimação e “seu rol de instituições de caráter nacional representativas dos criadores” – o que significa que o órgão pode ser utilizado em benefício de quem lucra com a criação e venda de animais.

Fonte: Ve Gazeta

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