Sempre recebemos mensagens pedindo dicas de como lidar e ajudar um gato medroso ou arisco.
Nesses casos, o mais importante é tentar descobrir a origem ou a fonte desse medo ou possível stress. Em alguns casos, pode ser um trauma vivido em alguma fase da vida, ou uma reação a algo que ainda está presente. Por isso é tão importante conhecer seu gato, observá-lo com atenção e descobrir o que o deixa a vontade e o que o assusta e estressa.
Quando encontrei a Jojo na rua, levei-a pro escritório onde trabalhava. Foi lá que ela passou os meses em que eu cuidei dela antes de juntá-la aos gatos de casa.
Inicialmente, o plano era achar um adotante pra ela, mas fui mudando de ideia ao começar a observar seu comportamento.
Jojo era uma gata muito arisca e assustada. Por ter vindo da rua, provavelmente passou por muitos traumas no início da vida, diante das dificuldades da vida na rua.
Além de muito medrosa, Jojo também era uma gata agressiva. Mordia e arranhava muito, e eu tinha que estar sempre atenta aos seus ataques surpresa enquanto trabalhava. Eu vivia arranhada e mordida, e pouco conseguia interagir com ela, já que quando não estava me atacando, ela estava entocada em algum canto com medo de tudo.
Com tudo isso, comecei a achar que nunca conseguiria um adotante pra ela. Afinal, quem iria querer uma gata que não interage e ainda te machuca?
Bom…A resposta veio fácil: EU. Eu ficaria com ela, porque eu já a amava e jamais poderia imaginar que alguém pudesse rejeitá-la ou abandoná-la novamente algum dia por causa do seu comportamento. Então eu mesma ficaria com ela, e assim eu poderia dormir tranquila sabendo que ela jamais voltaria pra rua.
Mas, isso não quer dizer que eu simplesmente aceitei aquele comportamento. Eu pesquisei, perguntei, corri atrás, e com muita, mas muita paciência mesmo, consegui transformar a Jojo na gata mais carinhosa que tenho hoje (pelo menos comigo).
Acho que uma das coisas mais importantes foi eu estar ciente que eu estava tentando, mas que minha relação com ela ia muito além do fato de eu conseguir ou não. Eu sabia que jamais desistiria dela, e considero isso extremamente importante em qualquer coisa que se vá tentar. Gatos são seres muito sensíveis, e o seu pensamento positivo e entusiasmo fazem toda a diferença pra eles.

O primeiríssimo passo é se certificar de que o gato não tem nenhum problema de saúde. Ele pode estar assustado ou arredio simplesmente por estar sentindo dor. Então, antes de tudo leve-o ao veterinário e certifique-se que sua saúde esteja OK.
Pronto? Tudo certo? Então vamos lá.
As dicas desse post são baseadas na minha experiência, e espero que possam ajudar muitas gateiras e gateiros desesperados por aí. Vamos lá:

1Um dos maiores problemas em gatos estressados pode ser a falta do que fazer. Viver em ambientes onde eles não têm nada pra brincar, escalar e arranhar pode ser extremamente problemático. Gatos são caçadores por natureza, e adoram qualquer tipo de atividade que aguce sua curiosidade e habilidades caçadoras.
Existem muitas formas de enriquecer um ambiente, como por exemplo: espalhando arranhadores pela casa, instalando prateleiras e escadinhas nas paredes para criar um refugio para eles no alto, o que eles adoram. Enfim, use a criatividade para deixar a sua casa mais interessante para seu gato, a fim de promover o bem estar físico e psicológio dele. Isso vai deixá-lo mais a vontade e confortável, ele se sentirá seguro, e dessa forma, o stress diminuirá.

2Florais são remédios líquidos preparados com essências de flores. Como são naturais, não têm contra-indicação, e hoje em dia já são bastante usados em animais para tratar problemas comportamentais.
Na época da Jojo, eu estava fazendo um tratamento com florais, e perguntei à minha terapeuta se também funcionava com animais. Ela disse que sim, e depois de eu descrever com detalhes os problemas da Jojo, ela preparou um floral especialmente pra ela.
Os florais normalmente são assim: 4 gotas 4 vezes ao dia. E no caso dos animais, podem ser misturados à água.
Depois de um mês de tratamento, Jojo apresentou muitas melhoras, e junto com todas as outras coisas que tentei com ela, posso afirmar hoje que o Floral foi uma das mais importantes para sua melhora.

3Pode parecer estranho, mas li essa dica em algum lugar e resolvi colocar em prática. Enquanto trabalhava, deixava tocando música clássica no escritório. E o resultado era impressionante. Jojo se aproximava do notebook e deitava, calma e serena, e acabava muitas vezes dormindo.
Quando ela estava muito agitada ou agressiva eu também ligava o som, e em poucos minutos ela se acalmava consideravelmente.
No Youtube você consegue encontrar diversos setlists com músicas ótimas pra isso! Clique aqui para ouvir uma delas.

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O Feliway é um produto muito bom pra tratar problemas comportamentais em gatos. Ele é uma versão sintética do feromônio facial felino, e ao entrar em contato com ele, o gato se sente mais feliz, confortável e seguro. Ele está disponível em duas versões: Difusor elétrico (aquele de ligar na tomada, tipo de mosquito) ou Spray. Nós usamos o difusor quando juntamos a Jojo com nossos outros gatos, o Tyler e a Marla, e coincidência ou não, foi uma adaptação muito tranquila e sem stress. A esta altura, Jojo já estava um pouco mais calma, mas ainda era bem agressiva e assustada. Acreditamos que o uso do Feliway também ajudou bastante.

5Quando um gato é assustado ou arisco, a pior coisa que pode acontecer pra ele é você forçar a barra. Tentar pegá-lo no colo ou tocar nele quando ele visivelmente está estressado só vai piorar a situação. Você precisa respeitar o momento e o espaço dele. Deixe que ele se aproxime de você quando se sentir à vontade. E claro: use iscas para atraí-lo, mas sem forçar. Brinquedos e petiscos são muito bem vindos, e vão ajudar na aproximação.

Bom, essas foram algumas dicas. Mas, como em tudo nessa vida, cada caso é um caso, e o mais importante é conhecer o seu gato e respeitar seus limites.

E lembre-se sempre: a rua é um lugar perigoso e assustador para os gatos, e você nunca conseguirá descobrir a causa do stress do seu gato se não puder observá-lo e saber o que ele passa. Então o primeiro passo para resolver qualquer problema sempre será: mantenha seu gato dentro de casa.

IMPORTANTE: As informações contidas neste post foram baseadas em pesquisas e textos, e outras são baseadas em nossa experiência pessoal. Não somos veterinários, portanto, não podemos indicar medicamentos ou avaliar casos. Se seu gato tem algum sintoma ou você desconfia que esteja doente, leve-o imediamente a um veterinário de confiança.

Manu

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