Querido diário,

Preciso desabafar. De uns tempos pra cá, tenho reparado que os humanos são seres muito, muito egoístas, não sabem dividir. Vou explicar porque penso isso.

Eles adoram brincar com a gente usando cordas, linhas e todo o tipo de hastes. Vira e mexe ganho um presente que tem muitos fios e penas e eles me incentivam a brincar com aquele emaranhado. Eu acho ótimo, claro. Mas aí, acabo enjoando daquele brinquedo, sabe como é: meia-hora explorando o inimigo, você já sabe quais são seus pontos fracos e aí perde a graça.

Então, quando resolvo partir para outros brinquedos, mas já brinquei com todos eles, o que sobra são os brinquedos dos humanos! Tem vários que são muito divertidos, mas eles não gostam de dividir, como eu já falei.

Por exemplo, adoro brincar com aquele que fica perto da tela grande, como é mesmo o nome… é “rato em inglês” (eu ainda estou aprendendo inglês). Só que, obviamente, quando você decide brincar com o tal “rato em inglês” dos humanos é um deus nos acuda, nunca vi. “Desce daí, Aurora”, “não pode brincar com isso, Aurora”, “Aurora, sossega” e um monte de outras frases desagradáveis. Tá vendo como eles não gostam de dividir seus brinquedos, especialmente quando estão usando. Usam errado ainda, arrastando de um lado para o outro. =T

Tudo bem, não querem me deixar brincar com esse, eu parto pra outro, afinal eles usam o “rato em inglês“ toda hora, deve ser o preferido.

Logo embaixo da mesa alta dos humanos tem vários fios pretos e outros brancos que eles nunca mexem, ficam lá jogados. Mas nem esses que eles nunca usam, eu posso me divertir. Gosto de morder e puxar esses troços! Primeiro, porque são macios, segundo, porque são maleáveis, terceiro, porque eu gosto de fingir que eles são cobras mortíferas hiper-ultra venenosas e a brincadeira ganha um “Q” de aventura!

Quando eles percebem, meeeu deeeus, sai de baixo. “Aurora, você tá louca?”, “Aurora, vai tomar choque” (tem vezes que eu finjo que os fios são enguias do mar, mas não sabia que eles sabiam disso), “Aurora, vai se machucar”… Que chateação, não posso fazer nada nessa casa.

Decido então chamá-los para brincadeira, pra ver se a gente descontrai o ambiente um pouco. Mordo os dedos dos pés, puxo pelos sapatos, tento escalar pelas pernas e nada, eles ficam lá hipnotizados por aquelas telas enormes. Algumas vezes eu pulo na mesa e fico bem na frente da tela “oiiiii, vamos brincaaaar”. Pergunta se eles vem brincar na hora que eu chamo? Nãaaao. Só querem brincar quando eu estou cochilando no meu sofá, impressionante.

Depois reclamam quando fico pedindo para ir na rua. Lá sim deve ter um monte de aventuras interessantes, mas eles não deixam. O que eu faço para me divertir, diário? Está difícil, nessa casa!

PS: Acabei de lembrar o nome do rato em inglês, chama MALZE. =^^+

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