origem
No começo de abril de 2012, eu, Manuela, e Igor, meu marido, tomamos uma decisão que mudaria completamente as nossas vidas: Decidimos adotar um gato.
Esse já era um desejo meu desde que fomos morar juntos, em 2011, mas como morávamos em um apartamento pequeno, achávamos que a hora certa ainda não havia chegado. Hoje eu vejo que realmente não havia. Porque meus filhotes predestinados ainda estavam em seus processos de reencarnação apenas esperando o nosso momento certo para virem ao mundo.
Então, quando nos mudamos para uma casa grande e espaçosa no começo de 2012, minhas tentativas de convencê-lo a adotar um filhote finalmente começaram a dar algum resultado.
E então, no dia 01.05.2012, saímos rumo à Campo Grande, uma viagem de quase 2 horas, pra buscar o meu primeiro grande amor.
Foi amor à primeira vista. Ele era uma bolinha de pêlos amarela de olhos grandes e azuis, e eu me apaixonei ao primeiro ronronar que senti quando o apertei contra o meu peito.
Era a coisa mais linda que eu já havia visto na vida. Eu estava radiante.
Mas então eu notei uma bolinha de pêlos multicolorida andando tímida pela varanda, meio escondida, olhando curiosa por detrás de um sofá velho, e se escondendo de novo quando achava ter sido descoberta.
E me apaixonei mais uma vez em menos de 1 minuto. Era um recorde. Muito amor pra uma pessoa só.
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Com o meu bebê amarelo já no colo, perguntei sobre aquela fofura de adoráveis olhos esbugalhados, que descobri então já estar reservada para outra pessoa, que viria buscá-la no dia seguinte.
A ideia inicial era apenas um gato. Filho único, pelo menos até segunda ordem. Mas eu não consegui resistir àqueles olhos hipnotizantes. Pedi para que o cara me ligasse, caso a pessoa desistisse e não fosse buscar aquela gracinha.
Fui embora de lá com o coração apertado, mas com a minha bolinha amarela aconchegada bem ao lado dele me confortando.
No carro, enquanto eu dirigia, fomos pensando no nome dele.
Benjamin era o mais cotado, mas não parecia combinar nem um pouco.
E hoje já não me lembro de mais nenhum, simplesmente porque o que escolhemos não poderia ter sido o mais perfeito: Tyler. De Tyler Durden.
Eu e Igor somos fãs do Clube da Luta e de Chuck Palahniuk. Então, quando olhamos para aquele serzinho loiro e de olhos azuis, não pudemos pensar em ninguém mais além do Brad Pitt interpretando Tyler Durden em Clube da Luta. E foi unânime. Nada parecia tão óbvio quanto aquela decisão.
Aquele era o nosso Tyler.
Chegou em casa, reconheceu o novo território, e dormiu sobre os meus cabelos naquela noite, como fez nas incontáveis noites depois daquela. Ele só mudou de lugar quando seu tamanho começou a me render noites mal dormidas. Era ele ou eu no travesseiro. Então ele se mudou pra minha barriga.
Passei o dia seguinte ansiosa esperando notícias sobre a outra pequenina. Eu ficava imaginando os dois juntos pela casa, dormindo juntinhos, dando banho um no outro, e a ideia de ter dois gatos foi se tornando cada vez mais óbvia, e eu não conseguia parar de pensar em como não havia decidido isso antes.
O telefone então tocou, e era a notícia de que haviam desistido, e aquela princesinha poderia ser inteiramente minha.
Larguei tudo que eu estava fazendo – trabalhando – e saí correndo e sozinha para Campo Grande. Não sei como cheguei lá sem o meu GPS particular, o Igor, mas sei que cheguei e voltei pra casa com a minha pequena aninhada no meu colo, assustada e sonolenta ao mesmo tempo. Ela era fofa. Não se pode dizer que era linda. Pra ser sincera, o Igor a chamava de Gremlin nos seus primeiros dias, mas meu coração de mãe nunca foi capaz de vê-la como nada além de PERFEITA.
Demos à ela o nome de Marla. Obviamente porque já tínhamos um Tyler, e verdadeiramente porque ela é A CARA da Helena Bonham Carter, com seus pêlos negros/castanhos/creme, e seus olhões amarelos esbugalhados.
Marla chegou em casa e logo reconheceu seu irmãozinho recém separado, e desde então, são melhores amigos inseparáveis e cheios de amor um pelo outro.
brad
hele

A minha pequena Gremlin se tornou a gata mais linda que eu já vi na vida, com seu pêlo longo tricolor, especial, como só as fêmea tricolores podem ser, ela é o charme em forma de felina, e tem o poder de derreter até o coração mais gélido quando joga aquela barriguinha linda pro alto em busca de carinho.
Mas antes desse papo clichê de mãe coruja, ainda falta uma parte importante a ser contada dessa gang que habita a minha casa e o meu coração.
Eis que, numa manhã fria e chuvosa de julho, 2 meses depois, estaciono meu carro em um lugar nada habitual ao chegar no trabalho, e ao descer, me deparo com um serzinho preto e magrelo curvado sobre uma poça de água, bebendo e tremendo de frio.
Meu coração apertou na mesma hora. E eu congelei, sem saber o que fazer diante daquela situação. Eu já tinha meus dois em casa, que já me davam despesas demais, com seus problemas de filhotes, vacinas, castração, ração cara e etc. O que eu poderia fazer?
Então eu só segui o meu coração. Agarrei uma caixa de papelão que estava na calçada, lá enfiei o minúsculo gato de barriga gigante, e então segui para o trabalho.
Chegando lá, meu pai e patrão, Jorge, me deixou ficar com ela no escritório enquanto ela se recuperava, e até sugeriu que ela ficasse pela loja, já que gatos são bons caçadores de ratos e tudo mais. Mas eu, como mãe neurótica que sou, não conseguia imaginar amor em uma vida dessas, e tinha planos muito melhores pra ela no futuro: uma família que a adotasse e a amasse incondicionalmente.
Eu a levei imediatamente ao veterinário mais próximo, que a examinou e me disse que ela estava muito fraca, anêmica, cheia de vermes e pulgas, e que levaria um tempo até se recuperar.
Depois de despulgá-la e cortar suas unhas, fui com ela até a farmácia para comprar os remédios receitados, e ao me ver com a pequena gata preta dentro da caixa, uma funcionária se aproximou e disse:
– Você pegou aquele gato que tava aqui na calçada?
Eu fiz que sim, e ela continuou. – Ah, tá, é que esse gato ficava entrando aqui na farmácia o tempo todo e ficava miando, eu enxotei ele várias vezes mas ele continuava voltando, eu já não sabia mais o que fazer com ele!
E eu não sabia o que dizer à ela, além de: Sinto muito pela sua miserável vida. Morra sofrendo.
Mas a minha educação apenas me permitiu dar um meio sorriso forçado e me retirar. Existem pessoas que não valem meia dúzia de palavras da nossa boca. Segui essa filosofia, como sempre sigo, e voltei ao escritório.
Nomeei a pequena desnutrida de Georgina, em homenagem ao meu pai, que havia me cedido gentilmente o escritório para abrigá-la por uns tempos, e a apelidei carinhosamente de Jojo.
Jojo era uma gata aterrorizada. Até hoje é. Não pode ouvir um barulho que se assusta facilmente e se esconde no primeiro buraco que encontra. Ela é muitas vezes agressiva, morde e arranha, e muitas vezes é o carinho em forma de felino, se esfregando e pedindo colo nas horas mais improváveis.
Ela ficou comigo no escritório por quase 5 meses, foi vermifugada, vacinada, castrada, e até tratada com Florais de Bach para ver se relaxava mais e acalmava toda aquela agressividade.
Alguma coisa me prendia àquela gata de uma forma que eu nunca vou saber explicar. Eu nunca realmente cogitei doá-la. Claro que eu dizia isso para as pessoas, afinal, era o mais óbvio a se fazer, certo? Mas, foi quando chegou a hora de castrá-la que eu tomei a decisão final.
Tive que levá-la para a minha casa, para que ela se recuperasse do pós-operatório, já que no escritório ela passava as noites sozinha.
E de lá ela nunca mais saiu. Fiz todos os exames que pude para me certificar que ela estava completamente saudável, e finalmente a apresentei aos meus dois filhotes.
Foi mais fácil do que imaginei. Devido aos traumas passados por ela na rua, os medos, a agressividade, achei que seria difícil, mas, pelo que percebi, o medo dela é de pessoas, e não de outros animais. Se deu bem com Tyler e Marla, e hoje são grandes amigos. Especialmente do Tyler, que é seu companheiro de lutinhas e roladas pelo chão. Além de ocasionais banhos de língua sob o sol da tarde.
Sua agressividade diminuiu, e hoje é uma gata quase normal, super especial. Seu jeito reservado faz com que os momentos de carinho sejam absolutamente recompensadores, como se você se sentisse super especial por merecê-los.
Enfim, essa é a história do Cat Club, meu clube particular de felinos. E esse é o blog que decidi criar para compartilhar com o mundo e com os milhares de amantes de gatos, todas as visões e experiências extraordinárias que passo ao lado deles todos os dias dessa minha vida.
Sejam bem vindos. Tyler, Marla e Jojo ronronam deliciosamente pela sua visita!
ty1.
mazi
jozi

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  • BIANCA GOYATA

    Muito bonita a história da formação dessa família linda. Sim uma família linda e especial. Fico muito emocionada e feliz ao saber que existem pessoas que amam tanto esses seres ronronantes que tanto tem para nos ensinar. Parabéns. Aqui em casa eu também tenho minhas histórias felinas, e apesar de mais de uma vez ter dito – Não quer mais gatos, eles partem e eu fico aqui sofrendo. – sempre surge mais um. Ou uma no caso da Mima, que é minha melhor companhia…..Abs.

  • Dayse Lucia de Castro

    Amei a história… Parabéns!!!!

  • Thereza

    Li a historia e amei!!! sou veterinaria, e gateira assumida, tb tive 3 gatos por longos anos e agora peguei mais uma. Amo gatos e tudo sobre gatos!

  • Ana

    Me identifiquei com a sua história e da Jojo. Quando eu encontrei minha Amora ela estava numa rua imunda e movimentada, na frende de uma papelaria, miando e dando confiança pra qualquer um. Eu entrei na papelaria pra perguntar se alguém cuidava, porque ela linda a pesar de suja e magrela, ao que me responderam “não, ninguém cuida dela aqui não. Por que? Quer ela pra você? 20 contos e ela é sua…” Voltei mais tarde no mesmo dia e peguei ela. 🙂

    • Manu

      Nossa! Que história! E que gente maldosa…cobrando 20 conto por uma gatinha abandonada! Que horror…e vc afinal pagou ou deu um jeitinho? hehehe 🙂 beijão!

  • Cristiane Duarte

    Manu,

    Sua história é linda, cheia de amor!!! Parabéns pela família linda que formou. E obrigada por compartilhar conosco todas essas experiências e histórias maravilhosas. Seus filhos são maravilhosos!!!
    Um beijo no coração!!

  • jorge mmacedo

    tenho muito orgulho de ter escolhido o seu nome, manuela na lingua do coracao e isso ai, determinacao, amor e humildade, sao essas ferramentas que te faz ser este ser de esgotavel beleza, estes sortiados pelo poder superior de fazer parte da sua vida sabem o que eu sinto por ser seu pai, me sinto muito honrado da homenagem da jorgina(jojo), que deus abencoe esta familia, te amo filha, bjs…

  • Nadia

    Soh quem tem entende o amor!!!

  • Nicolly

    Infelizmente tem muito mais gente como aquela farmacêutica do que como você 🙁 É manu certo? adoro as historias aqui do cat club e resolvi pedir um help já que falou da sua ultima gatinha, a geordina. Tenho uma pretinha também, a mais nova da casa, deve estar com uns 6 meses, mas ela é extremamente alucinada, encapetada que só ela, quando tá com sono é o neném mais gostoso e dengoso do mundo, mas quando não está é que vem o problema, não posso pegar ela no colo que me morde ou arranha a cara, e olha que seguro do jeito certo (não igual neném) e se insisto em ficar com ela no colo ela rosna alucinadamente, me atacando de todas as formas. Cortar as unhas então, é um sufoco, já levei varios socos na cara, hahhah, mas o amor continua o mesmo. Enfim, queria saber mais como funciona esse tratamento com Florais de Bach, se com a sua jojo funcionou, gostaria de testar com minha maluca alucinada! Desde já agradeço!